A carioca Esther Morgannah está animada com a possibilidade de ser
escolhida como uma das 12 mil pessoas que atuarão como voluntárias nas
cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada e Paralimpíada Rio 2016.
Assim como ela, todas as 30 alunas da última turma do curso de capacitação se inscreveram para participar das audições propostas pelo Comitê Organizador dos Jogos.
Esther acredita que esse tipo de oportunidade pode
dar mais visibilidade às transexuais e ajudar a acabar com o preconceito. “As
travestis e transexuais podem trabalhar, estudar, ter alguém, podem apresentar
shows e dar o melhor de si”, afirma. Ela faz trabalhos freelancer como
cabeleireira, mas pretende terminar a faculdade de direito e a licenciatura em
geografia para poder lecionar.
Também aluna do projeto, Alessandra Lira define a
oportunidade de participar como voluntária na Olimpíada deste ano como algo
“muito especial, maravilhoso”. Ela aguarda o contato da organização dos Jogos
para saber quando participará da seleção, mas diz estar confiante. “As pessoas
da comissão que fizeram as nossas inscrições deram uma confiança tão grande
para a gente. Estou confiante, sim, que vai dar tudo certo”.
Cabeleireira profissional, Alessandra tece elogios
ao projeto de capacitação da prefeitura do Rio e destaca a importância das
noções de empreendedorismo que recebeu durante o curso. Para o futuro, ela diz
que pretende se inscrever como microempreendedora individual e abrir um salão
de beleza no bairro de Pilares, na zona norte, onde mora. Ela quer também
terminar o ensino supletivo no qual está matriculada.
Seleção
A primeira rodada de audições para seleção de
voluntários para as cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada e
Paralimpíada de 2016 foi feita em novembro do ano passado.
A ideia é escolher 12 mil voluntários para as
quatro cerimônias que ocorrerão no Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã.
Não é preciso ter habilidade específica para se inscrever. A única exigência é
que o candidato seja maior de 16 anos. Segundo a equipe de elenco das
cerimônias, a ideia é mostrar a diversidade brasileira.
A pedido do Comitê Organizador dos Jogos, o
coordenador do Projeto Damas, Carlos Alexandre Neves Lima, organizou um
encontro com a última turma do curso, em janeiro passado. Durante a reunião, a
comissão apresentou o planejamento e várias alunas fizeram inscrições para
serem voluntárias. Lima disse que as alunas ficaram “bastante entusiasmadas”
com a possibilidade de se apresentarem. “Foi além das expectativas. Teve fila
para as inscrições”.
Projeto
Damas
Mais do que capacitar travestis e transexuais para
o mercado de trabalho, o Projeto Damas se destina a recuperar a autoestima e a
ajudar na inserção social dessas pessoas. De acordo com o coordenador do
projeto, elas costumam ser excluídas da sociedade muito cedo, a maioria ainda
na época da escola, onde sofrem constante bullying.
“Essa inserção social é um mecanismo para
aproximá-las da escola, de prepará-las, de alguma forma, para o mercado de
trabalho para estarem aptas a concorrer com os demais cidadãos e terem os
mesmos direitos”, afirmou Lima.
No curso, elas podem participar de oficinas de
informática, educação, empreendedorismo, orientação vocacional, fonoaudiologia,
prevenção e redução de danos à saúde, noções de direitos humanos, cidadania,
entre outras.
Ainda segundo Lima, mais de 90% das alunas estão na
prostituição e querem sair desse ambiente. “Elas são obrigadas a se prostituir
porque ninguém dá trabalho”, disse.
Apesar de o projeto não garantir vagas no mercado
de trabalho, Lima afirma que são criados meios para que elas tenham autoestima,
condições de segurança e mecanismos de informação para poderem entrar no
mercado.
O coordenador destaca que, de forma geral, as
travestis e transexuais não contam com estrutura socioeconômica. “A família não
acolhe, trabalho é difícil. Elas têm muita dificuldade de ter uma estabilidade,
seja econômica ou social”.
Para ajudá-las a sair desse ciclo, o projeto criou
um grupo fechado na internet no qual as ex-alunas mantém contato e são
divulgadas oportunidades de emprego e estudo.
Cada turma reúne 30 alunas que frequentam seis
meses de aulas teóricas e três meses de vivência profissional. Elas fazem
estágio em órgãos municipais conveniados, onde há hierarquia e horário, e a
maioria dos funcionários é heterossexual.
Desde que a Coordenadoria Especial da Diversidade
Sexual, ligada à prefeitura do Rio de Janeiro, foi criada, em 2011, já foram
organizadas seis turmas do projeto. Para este ano, a expectativa é abrir mais
uma turma.
Com informações do Diário de Pernambuco, Fevreiro de 2016
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