Nina
Souza nasceu com uma condição que nunca lhe permitiu andar. Encontrou a
felicidade na dança, com performances premiadas sobre a cadeira de rodas
Com
sorriso tímido, conta que a atividade melhorou sua comunicação. “Depois que
comecei, superei meus limites e deixei de ser tão envergonhada”, completa. Mas
a dança trouxe outros dois presentes. Durante uma apresentação recebeu proposta
de trabalho e no grupo onde ensaia, a Cia Cadências, conheceu o amor da sua vida.
Rogério Silva, 28, professor de dança popular brasileira. é agora parceiro de
Nina nas apresentações. “Já veio o pacote completo”, brinca Nina.
A
primeira apresentação em público foi no carnaval de 2013. Foi a única vez em que
ela dançou com o triciclo. “A Cadências estava realizando o projeto Frevo sobre
rodas e me apresentei na Pracinha de Boa Viagem. Depois disso passei a ensaiar
numa cadeira específica para dançar. É mais leve e tem rodinhas de gel.” Em
abril de 2014, se apresentou no Dançando na rua, na Praça do Arsenal, onde
voltará a dançar no dia 26.
A
doença não a impede de fazer alguns movimentos exigidos pela dança. “Faz 16
anos que não fraturo nenhuma parte do meu corpo. Os médicos acreditam que o uso
do triciclo me deixou resistente. Também não sinto nada quando estou dançando”,
comenta.
Com
os ensaios semanais no bairro de Jardim São Paulo, onde também participam
outros cadeirantes, Nina foi tomando gosto pela atividade. “A dança mudou minha
vida”, revela. Com o incentivo da diretora e coreógrafa da Cia Cadências,
Liliana Martins, ela e Rogério se inscreveram no XIII Campeonato Brasileiro de
Dança Esportiva em Cadeiras de Rodas, realizado em Minas Gerais em dezembro do
ano passado. Voltaram para casa com o primeiro lugar na categoria para
estreantes. “É muito gratificante ver o desempenho e a felicidade de Nina
quando ela está dançando”, aponta Rogério.
Cotidiano de desafios
Ainda bem cedo, todos os dias, Nina
Souza deixa sua casa em direção à estação do Metrô. Em cima do seu triciclo e
acompanhada da mãe ou do namorado é deixada na plataforma para esperar o trem.
Começa aí a aventura para chegar ao trabalho. “Tenho que pegar o metrô indo
para Jaboatão e esperar ele fazer o retorno para o Recife. Se não fizer isso,
não consigo entrar no trem quando ele chega na minha estação. É uma agonia
danada. Muita gente não respeita o espaço dos deficientes. Algumas pessoas
chegam a dizer que eu deveria ficar em casa e não estar ali ‘atrapalhando’ os
outros”, desabafa.
Nina trabalha no cerimonial da Prefeitura do Recife. Para chegar até a sede do
poder municipal ainda precisa pegar um ônibus quando desce na estação Central
do Metrô. “Os motoristas já me conhecem e muitos deles me ajudam muito. Quem
reclama são só os passageiros mesmo. Mas eu não desanimo de jeito nenhum. Fui
convidada pelo prefeito Geraldo Julio para trabalhar na equipe dele e não vou
deixar de viver a minha vida porque algumas pessoas não têm respeito pelo
próximo”, ensina.
Assim como faz na dança, Nina tira de letras os obstáculos que teimam em aparecer na sua frente.“Depois que assisti a uma apresentação de uma dançarina tetraplégica que praticamente não tinha movimento nenhum, pude ver que eu também teria como dançar com as minhas limitações .Nada vai me fazer desistir agora. Vou continuar trabalhando e dançando. Não é porque temos alguma deficiência que devemos ficar em casa esperando o destino”, ressalta.
Com informações do Diário de Pernambuco / Abril 2015
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