Postado em
11 abril por Gianni Paula de
Melo em Quadrinhos
Das atividades que dificilmente as pessoas se
dispõem a aprender depois de certa idade, nadar e andar de bicicleta talvez
sejam as mais comuns. Isso porque, geralmente, encaramos estes desafios na
infância e nunca esquecemos como se equilibra sobre duas rodas ou como
sequenciar braçadas. Sou deste grupo que desenvolveu ambas aptidões ainda
pequena, mas deve-se dizer: desenvolveu entre muitas aspas. Todo e qualquer
exercício que pratiquei na vida foi de forma sub-amadora. Cheguei a competir
quando treinava judô e vôlei, mas não era uma atleta muito séria e dedicada,
além de ter pavor de disputa.
Recentemente, decidi fazer aulas de natação. Apesar
de saber o básico e ter resistência razoável, nunca tive orientação técnica
sobre a atividade, nem nadava prestando atenção nos meus movimentos e
respiração. Ou seja, conseguia apenas não me afogar. No primeiro dia
em que cheguei ao clube, foi inevitável a lembrança do HQ O gosto do cloro.
Enquanto atravessava a piscina, de um lado para o outro, imaginava que olhando
de fora, deveria reproduzir as braçadas desajeitadas do protagonista criado
pelo francês Bastien Vivès.
A edição em português saiu pela Barba Negra/Leya
Brasil, em março de 2012, e conta a história de um jovem sedentário que começa
a frequentar uma piscina pública devido a recomendação de um fisioterapeuta.
Lá, conhece uma ex-atleta profissional com quem passa a dividir raia. As
ilustrações de traços simples combinadas com a economia de texto verbal
concorrem para uma experiência visual de poucos detalhes e muito silêncio.
Ao apostar em planos mais abertos, Bastien nos
impõe uma sensação de solidão, que também é partilhada pelos personagens. O
encontro dos dois, como pausa da regra estressante que é a rotina, serve antes
como confirmação de um quadro urbano em que anônimos se esbarram ao acaso e
constroem um falso vínculo, um laço momentâneo.
Fonte:Revista Continente/Blog
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